Fala, professor
Prosa no Poleiro
Olhe Udi
Mundo de Todo Mundo
Lê Galidade
Horóscopo Publicitário
Seção do Descarrego
TPM – Tecnologia Para Mídia
Nuanças
Putz!
1x1
Eu falo, ele fala!
Balaio de Galo
Meios Inteiros
Galo na História
Ben McConnel e Jackie Huba, autores do livro Buzz Marketing, explicam que um cliente evangelista é mais que um cliente leal. A lealdade na compra está mais ligada à regularidade e, talvez se aprofundarmos um pouco mais, veremos que nossa lealdade está mais ligada à conveniência e preço do que de fato à fidelidade àquela marca ou determinado produto/serviço. O cliente evangelista acaba sendo um amigo, ou melhor, alguém cujo relacionamento com a empresa é mais profundo e duradouro.
No livro, os autores sugerem uma tabela de atributos dos clientes evangelizadores, como podemos ver abaixo:
- Eles compram e acreditam no seu produto ou serviço;
- São leais e apaixonadamente o recomendam aos amigos, vizinhos e colegas;
- Compram seus produtos para dar de presente para outros;
- Fornecem feedbacks ou elogios não requisitados;
- Perdoam as falhas ocasionais no serviço e na qualidade, mas deixam que você saiba quando a qualidade está deixando a desejar;
- Não é possível comprá-los; clientes evangelistas elogiam suas virtudes livremente;
- No seu papel de evangelista, sentem-se conectados a algo maior que eles mesmos.
Da mesma maneira que os discípulos de Jesus Cristo tinham como objetivo evangelizar o mundo, ou seja, trazer boa nova, estes clientes também o tem. Uma característica marcante é a emoção nas palavras, tudo quase vira uma grande história de amor. Mas afinal como o empresário ou executivo pode aproveitar este novo conceito?
Al Ries em seu livro a "Queda da Propaganda", explica que os novos produtos não conseguirão vencer usando propaganda de massa como antigamente. Uma estratégia mais perspicaz e afinada de marketing terá que fazer parte do planejamento dos profissionais de mercado. E aí que os princípios do Buzz Marketing podem auxiliar as empresas.
O quadro abaixo traz ações estratégicas aplicadas por algumas empresas que estão usando os conceitos do Buzz Marketing:
- Procuar receber o feedback contínuo dos clientes;
- Partilhar o conhecimento livremente;
- Estabelecer o "buxixo", ou seja, sabiamente estabelecer redes de marketing boca-a-boca;
- Encorajar as comunidades de clientes a se reunirem e partilhar suas experiências;
- Elaborar ofertas especiais e menores para "fisgar" os clientes;
- Concentrar-se em melhorar o mundo ou seu setor industrial (criar uma causa).
Será que vale a pena fazer tudo isto? Não seria mais fácil baixar preços, fazer promoções ou veicular propagandas de TV bonitas e emocionantes no horário nobre?
A agência de publicidade Euro RSCG Woldwide fez uma pesquisa sobre a influência dos produtos tecnológicos mostrando como os consumidores estão buscando informações para efetuarem suas compras:
- 13% na propaganda;
- 20% na internet;
- 34% do marketing boca-a-boca.
Penso que vale a pena pensarmos em mudar nossas estratégias. E você?
Adriano Novaes.
“(...) o mercado está absolutamente saturado de publicitários genéricos, com uma oferta básica de conhecimentos e habilidades”.
Inserido em um mercado que ocupa a décima terceira colocação no ranking de publicidade do país, contendo mais de trezentas empresas do setor e que emprega aproximadamente 3.500 pessoas diretamente, é preciso além de sucesso, ter muito prestígio para não ser ou criar algo biodegradável e conquistar um lugar efetivo nesse contexto. Eduardo Guaratto, ícone de profissionalismo e dedicação à carreira de nossa região, possui estes tão sonhados diferenciais e os definem como um conjunto de “paciência, humildade, coragem e perseverança”. Aqui, ele fala a respeito do mercado de trabalho da cidade de Uberlândia, da regulamentação da profissão de publicitário, da necessidade de uma formação acadêmica e nos conta um pouco sobre sua rica jornada na sua área de atuação.
1. Conte-nos um pouco da história da sua carreira: quando e como ingressou, as dificuldades e receios, os aprendizados e oportunidades e o que te motivou a seguir essa profissão.
Comecei em comunicação em 1982, na Rádio Cultura FM, como locutor e diretor artístico. Foi um acaso e depois uma paixão. Fiquei no rádio durante nove anos, passando por São Paulo e Belo Horizonte na Rede Antena Um. Depois disto, montei minha agência, onde fiquei por 15 anos, até o convite para a gerência comercial da Rede Integração, onde estou hoje. Não houve um dia sequer nestes anos que fosse parecido ao anterior. Há sempre uma situação nova, ou uma velha situação com uma pessoa nova. E para cada uma, um aprendizado. Paciência, humildade, coragem e perseverança são atributos essenciais para seguir em frente.
2. Aponte um forte ponto positivo da profissão e um ponto negativo (se achar que este exista).
Positivo: na comunicação, lida-se com gente culta, educada e perspicaz na maioria das vezes. Isso obriga a uma renovação constante de conhecimento, informação e valores.
Negativo: as deficiências da regulamentação permitem a invasão de oportunistas, sem que os profissionais possam se diferenciar com nitidez.
3. Como você enxerga o mercado de trabalho em Uberlândia para nossa profissão? Ele realmente está saturado ou sempre existem vagas para bons profissionais?
Sim, o mercado está absolutamente saturado de publicitários genéricos, com uma oferta básica de conhecimentos e habilidades.
Sim, sempre existem vagas para aqueles que buscaram uma especialidade e conseguem transformar o ‘saber’ em valor agregado para clientes e contratantes. Se você não conseguir tornar rentável o seu conhecimento ou informação, então estes não valem o que parecem valer.
4. Qual a verdadeira necessidade de uma formação acadêmica, já que muitos se auto-intitulam “publicitários” sem uma real profissionalização?
Se você não for um daqueles ‘iluminados’, com clara vocação para alguma habilidade específica, como criação ou artes visuais, então a formação acadêmica fará toda a diferença na carreira. O pensamento estratégico, a capacidade de trabalhar em equipe e o controle das reações quando se está sob pressão são fundamentais na vida profissional e isto se exercita muito na escola.
5. A respeito da regulamentação da profissão de publicitário e da criação de um congresso do setor, o que pensa sobre a demora da realização dos mesmos, já que tantas outras categorias já estão organizadas em Ordens, Conselhos e Federações?
Penso que há pouca vontade de mobilização da maioria do setor. Em outubro recebemos pela segunda vez em Uberlândia o diretor jurídico do CENP e CONAR, aí mesmo no auditório da ESAMC, sem nenhum custo, com pouca presença de profissionais do mercado. Da mesma forma ocorreu em 2005, também sem custo e com pouca freqüência. Tudo indica que a nova geração é que fará diferença.
6. O que aconselha a jovens e futuros profissionais inseridos em um mercado rodeado de oportunistas para a conquista de um espaço definido e construção de uma carreira concreta e rentável?
Que se especialize e procure excelência em alguma área do saber. Construa relações duradouras ao longo da graduação com colegas, professores e empresas, pois será através delas que as portas começarão a se abrir. A graduação não é, ao contrário do pensamento geral, somente um tempo de farras inesquecíveis. Claro que fazem parte. Mas este é um tempo onde você se mostra por inteiro às pessoas que vão influir na sua carreira futura. A maneira como você é percebido (a) vai determinar se você será indicado para as melhores, as piores ou nenhuma oportunidade.
Izabela Cabral.
Na época dos homens da caverna já se utilizavam do outdoor para transmitir suas mensagens. Através dos desenhos nas paredes, contavam suas histórias, transmitiam suas informações e anunciavam o que lhe era pertinente. Os tempos mudaram, a modernidade caminha a passos largos, a procura de novas formas, de novas fontes, de novos meios para comunicar as notícias, o entretenimento e as novidades.Hoje, o leque de comunicação se estendeu, não é mais como no passado em que os meios mais conhecidos eram a televisão, o radio, o jornal e a revista, e que sofriam, ainda, com várias repressões do Estado. Graças à revolução, temos mais contatos com outras mídias, como o surgimento da Internet, que liga um país ao outro em uma freqüência de segundos, temos o outdoor, uma mídia ao ar livre vista por todos, temos as mídias alternativas, que atualmente não é muito utilizada, e temos o fortalecimento daquelas que um dia fora vista como demônios da sociedade.
Então, meus caros leitores, vocês conhecem ou já viram alguma mídia alternativa? Sabem o que é, ou não tem a menor noção do que seja?
Por incrível que parece, esta edição mostrou o quanto é importante estarmos por dentro das informações. Em base de muitas pesquisas, de textos, hoje posso afirma-lhes que sei o que é uma mídia alternativa, e garanto a vocês que quando terminarem de ler esta reportagem, também irão saber e pensar porque as empresas não adotaram ainda essa alternativa?
A mídia alternativa é uma força relevante na nova forma de comunicação, e que por sua vez, vem se constituindo em diversos núcleos. Partindo das insatisfações com as mídias corporativas, comprometidas com os interesses do capital, visam oferecer outra maneira de pensar, a função transgressiva da comunicação, feita com poucos aparatos técnicos e custos relativamente baixos.
Conhecida por mídia tática, mídia independente ou mídia sob demanda que possuem variadas ligações com movimentos sociais fora da rede. Contudo, houve várias manifestações, e nesse momento a mídia alternativa tomou outra forma com o surgimento do Centro de Mídia Independente.
Outro tipo de mídia são os veículos gerenciados pelas próprias fontes, como a institucional, que é ligada a organização pública ou privada, e a legislativa, associada aos parlamentos. O objetivo destas mídias é o corte editorial da mídia tradicional e o estabelecimento de uma união direta entra a fonte e o consumidor.
Outros exemplos de mídias alternativas são: mídias extensivas, como painéis eletrônicos, anúncios em ônibus e em abrigos de transportes públicos; fachadas de prédios; comunicações diretas, feita através de publicações dirigidas a públicos específicos, como envio de malas diretas por correio e e-mail, mensagens por celular, dentre outras. Tudo isso proporciona uma ampla heterogeneidade e pulverização à comunicação, e, por isso mesmo, apresenta algumas dificuldades para seu efetivo uso. A grande dificuldade dessa mídia é manter o foco em alvos determinados, em meio ao imenso mosaico que é hoje a sociedade e seus fragmentados canais de comunicação.
Um autor nos relatou o seguinte:
A solução, não está na escolha, na exclusão da mídia clássica ou da mídia alternativa, mas na associação e na inclusão: mídia e mídia alternativa. Mesmo assim, a proposta de união ainda diferencia excessivamente as duas disciplinas, que cada vez mais se fundem e se completam.. A partir das práticas existentes, é importante avaliar cuidadosamente vantagens e desvantagens de cada ação de mídia, e apresenta as ferramentas para a elaboração de uma estratégia de mídia/mídia alternativa que possa ser praticada no contexto de um plano global de comunicação. O caminho não é fácil, pois durante muito tempo houve o desejo de situar a mídia e a mídia alternativa em campos opostos, definindo-se esta última como uma negação daquela. Embora reivindique uma identidade própria, a mídia alternativa não consegue, efetivamente, aparelhar-se com ferramentas de avaliação específicas. Conclusão: inúmeros veículos tidos com mídia alternativa consideram que devem ter o estatuto integral de mídia. A reflexão acerca de mídia/mídia alternativa destina-se a auxiliar o profissional de marketing a raciocinar em bloco, a transpor as fronteiras das disciplinas clássicas sem se preocupar e lançar mão de técnicas de publicidade, promoção, marketing direto (MD), patrocínio, mecenato, design, identidade, relacionamento com a imprensa, relações públicas, e muitas outras!
E você, o que pensa sobre as mídias alternativas?
Leonora e Gabi Gil.
As transformações sócio-econômicas dos últimos 20 anos têm afetado profundamente o comportamento de empresas até então acostumadas à pura e exclusiva maximização do lucro.
Se por um lado tem-se buscado cada vez mais riquezas e lucros, por outro lado, se sabe que com grande poder, vem grande responsabilidade. A idéia de responsabilidade social incorporada aos negócios é portanto, relativamente recente. Com a pressão por transparência nos negócios, empresas se vêem forçadas a adotar uma postura mais responsável em suas ações.
Infelizmente, muitos ainda confundem o conceito com filantropia. A busca da responsabilidade social corporativa tem, grosso modo, as seguintes características:
• É plural. Empresas não devem satisfações apenas aos seus acionistas. Muito pelo contrário. O mercado deve agora prestar contas aos funcionários, à mídia, ao governo, ao setor não-governamental e ambiental e, por fim, às comunidades com que opera. Um diálogo mais participativo representa maior credibilidade diante da sociedade.
• É distributiva. A responsabilidade social nos negócios é um conceito que se aplica a toda a cadeia produtiva. Não somente o produto final deve ser avaliado por fatores ambientais ou sociais, mas, deve ser difundido ao longo de todo e qualquer processo produtivo.
• É sustentável. Responsabilidade social anda de mãos dadas com o conceito de desenvolvimento sustentável. Uma atitude responsável em relação ao ambiente e à sociedade, não só garante a não escassez de recursos, mas também amplia o conceito a uma escala mais ampla. Uma postura sustentável é por natureza preventiva e possibilita a prevenção de riscos futuros, como impactos ambientais ou processos judiciais.
• É transparente. A globalização traz consigo demandas por transparência. Não mais nos bastam mais os livros contábeis. Empresas são gradualmente obrigadas a divulgar sua performance social e ambiental, os impactos de suas atividades e as medidas tomadas para prevenção ou compensação de acidentes. Muitas empresas já o fazem em caráter voluntário, mas muitos prevêem que relatórios sócio-ambientais serão compulsórios num futuro próximo.
Atualmente, a busca pela maximização dos lucros tem feito empresas perceberem que isso só é possível mediante a credibilidade de seus clientes. Para obter tal credibilidade a empresa não deve pensar apenas em lucros a qualquer custo. Pelo contrário, a empresa deve considerar desde os custos de produção até o preço final do produto e principalmente os impactos do processo no próprio cliente e no próprio ambiente onde este se encontra inserido. Não vendemos apenas produtos ou serviços. Em cada produto ou serviço está agregado muito mais do que valores de custo-benefício. Na verdade, valores que extrapolam os previsíveis custos de produção são os verdadeiros responsáveis pela aquisição de tal produto. Nesses últimos dias da mesma forma que não se vende apenas produtos, não se busca apenas custo-benefício. Compra-se transparência, sustentabilidade, consciência social enfim, responsabilidade com a sociedade como um todo, em todas as esferas, em todos os níveis.
Gabriella.
Mesmo 42 anos após a publicação da lei 4.680/1965, a profissão de publicitário continua a ser exercida indiscriminadamente. Esta lei, que deveria regulamentar o exercício da profissão de publicitário no país, não tem efeitos no plano da eficácia.
Diante disso, tramita no senado um projeto de lei que visa regulamentar de fato o exercício da profissão de publicitário. O Projeto de Lei do Senado n.º30 de 2004 instituirá, se aprovado, importantes avanços. Dentre esses estão: a restrição do exercício da profissão aos diplomados em curso superior específico, a obrigatoriedade de se manter publicitários diplomados em agências de publicidade e propaganda, estágio obrigatório para os graduandos da área e a regularização de quem já atua na área, mesmo sem formação superior.
Apesar de o texto original do projeto tentar enumerar as funções que um publicitário pode desempenhar dentro de uma agência, ele se mostra desatualizado. Além disso, poderia expressamente instituir o Conselho de Publicidade, que seria um órgão autônomo e responsável pelo controle das autorizações para exercício da profissão. Neste sentido, o projeto continua apontando o Ministério do Trabalho como órgão competente, repetindo o conteúdo da Lei 4.680.
Sabe-se que a criação de um Conselho Publicitário acabaria por fortalecer a classe, a exemplo dos conselhos de engenharia, medicina e da própria Ordem dos Advogados do Brasil.
O PLS 30/2004 já contou com duas audiências públicas, a última realizada em abril de 2006, momento em que recebeu sugestões de uma única entidade: a Associação dos Profissionais de Propaganda (APP). Na ocasião, o então senador Leonel Pavan (PSDB-SC) recebeu das mãos do presidente da APP, André Porto Alegre, as sugestões da instituição ao projeto.
Como deve seguir o processo legislativo normal, previsto no regimento interno do senado, o projeto só deve incorporar essas sugestões posteriormente. Neste momento, ele tramita na comissão de educação com vistas para o senador Marcelo Crivela.
Mesmo lento, é importante que o processo seja amplamente debatido e que haja acompanhamento por parte da classe. O ex-senador autor do projeto é, hoje, vice-governador do estado de Santa Catarina, e por telefone disse à revista PUB que ainda acompanha o desenvolvimento da matéria e que seu desligamento do senado não atrapalhará o andamento do mesmo, “uma vez protocolado ele segue o processo até o fim”, afirmou Pavan.
POLÊMICA
Já na Câmara dos Deputados foi apresentado um projeto de lei, PL-1226, que regulamenta o exercício do profissional de marketing, de autoria do Deputado Federal Eduardo Gomes (PSDB-TO).
O primeiro artigo caracterizar o profissional de marketing como responsável por desempenhar “atividade especializada de caráter técnico-científico, criativo e artístico, com vistas à criar e redigir textos publicitários, roteirizar spots e comerciais de TV, dirigir peças para rádio e TV, planejar investimentos e inserções de campanhas publicitárias na mídia, atender clientes anunciantes, produzir arte gráfica em publicidade e propaganda, gerenciar contas de clientes e administrar agências de publicidade”.
É até muito louvável a intenção do Sr. Deputado em regulamentar tal profissão, porém o texto do projeto confunde o profissional de marketing com o publicitário. Dificilmente, será aprovado desta maneira, uma vez que o projeto que está muito mal redigido deverá ser analisado por três comissões dentro da Câmara.
Revista PUB! entrevista André Porto Alegre, publicitário, jornalista e presidente da Associação de Profissionais de Propaganda
PUB: Em que a Lei 4680/1965 contribuiu para o exercício da profissão de publicitário?
ANDRÉ: A Lei 4680 criou parâmetros para a atividade profissional e foi o marco regulatório nas relações entre agências, veículos e anunciantes.
PUB: Em que pontos especificamente o senhor acredita que esta lei seja insuficiente?
ANDRÉ: É uma lei de 40 anos, diversos pontos ficaram ultrapassados, diversas práticas foram modificadas e o modelo de negócio se alterou.
PUB: Considerando o projeto de lei PLS 30/2004, quais os pontos positivos e negativos de tal projeto para a APP?
ANDRÉ: O principal ponto positivo é abrir a discussão sobre a necessidade natural da regulamentação da atividade profissional. O projeto precisa ser debatido. Nossa atividade está em constante mutação e é importante que a lei não se apegue a realidades pontuais e sim trate das questões profissionais no âmbito conceitual. Ela precisa sofrer ajustes nesse sentido. A APP foi a única entidade a apresentar formalmente uma série de sugestões diretamente ao senador Pavan da audiência pública no senado. Todas procuravam adequar o projeto a realidade da atividade profissional.
PUB: O projeto de lei PL 1226/2005, que tramita na Câmara dos Deputados Federais, pretende regulamentar o exercício da profissão de marketing ou mercadólogo como alguns querem chamar. Este projeto abre possibilidade ao “mercadólogo” para atuar nas mesmas funções que o publicitário, como a APP encara essa possibilidade?
ANDRÉ: Essa discussão não entrou ainda na pauta da APP. Minha opinião é em caráter pessoal. Não vejo possibilidade das duas atividades profissionais se sobreporem, pois as considero completamente distintas nas áreas de competência.
PUB: Em sua opinião, por que até hoje o exercício da profissão de publicitário não é privativa dos graduados e habilitados para tal profissão, como o é para a medicina ou o direito?
ANDRÉ: Passamos os últimos 30 anos nos regulamentando. Nos auto-regulamentamos na ética através do CONAR, nos auto-regulamentamos na remuneração através do CENP e, ainda, não nos regulamentamos no exercício profissional, talvez por estarmos organizados há mais de 70 anos como atividade profissional, não nos sentimos ameaçados e acreditamos que só nós, publicitários, podemos exercer essa atividade. Essa realidade tende a mudar.
Rodrigo Figueira.
ATENDIMENTO – Com o Sol favorável neste período, você poderá receber grandes briefings. Reserve um tempo para estabelecer contatos com velhos clientes e buscar prospects. A influência de mercúrio no orçamento de seus clientes poderá resultar em um aumento de verbas, mas cuidado para não estourar o budget.
PRODUÇÃO GRÁFICA - Período de turbulência causado por marte na casa do signo de atendimento. Fique atento aos arquivos não finalizados corretamente, uma incongruência de sistemas de cores pode lhe surpreender. A solução sedutora da dupla de criação poderá trazer maiores riscos durante a lua minguante. Cor da semana: C:56; M:24, Y:10, K:0.
MÍDIA - O trânsito da lua no signo de Redação poderá ser prejudicial ao seu desempenho na próxima quinzena. Na busca por maior GRP, poderá tropeçar em promessas da nova grade de programação. No campo das mídias impressas, as energias lunares favorecerão seu plano de mídia, e o monstro do encalhe não lhe parecerá tão assustador.
DIREÇÃO DE ARTE - Sua fase de all type deve chegar ao fim com o término dessa estação. A força de vênus poderá trazer grandes campanhas e jobs capazes de lhe projetar às estrelas. Não subestime as idéias do braimstorm. Cuidado, o controle do ego é fundamental para sua evolução, não tenha medo de pedir ajuda ao amigo redator.
REDAÇÃO - O alinhamento de Júpiter e Vênus na casa do signo de Direção de Arte poderá aumentar o fluxo de trabalhos. Esteja alerta, os astros poderão lhe inspirar roteiros fantásticos. Mas cuidado com os excessos de vocabulário. Seu lado conciliador poderá aflorar, potencializando você como elemento racional da dupla de criação.
TRÁFEGO - Seu regente plutão poderá realçar seu lado controlador e também o seu fascínio por cronogramas e check lists, inspirando animosidades no ambiente social. Mesmo com todos os folow ups possíveis, eventuais atrasos serão sempre sua culpa. Busque a calma, medite e chore escondido no banheiro.
PLANEJAMENTO - Seus esforços para manter todas as coisas organizadas e todas as pessoas interligadas poderão ser recompensados com a simpatia dos chefes, e a antipatia dos colegas de trabalho. Assim como os Tráfegos, você sofre do mal dos cronogramas, follow ups e check lists. Atenção para não se tornar dependente destas ferramentas de controle.
ORÇAMENTO – Renove suas energias e busque novos fornecedores. O fluxo de trabalho tende a aumentar, mas o prazo diminuir, pois neste momento Plutão anula o raciocínio lógico dos nascidos sob o signo de atendimento. Jamais se esqueça da comissão da agência, ela é sua maior aliada para garantir o equilíbrio energético financeiro da empresa.
PRODUÇÃO DE EVENTOS - Período festivo inspirado pelos astros. Esta quinzena poderá favorecer projetos de eventos grandiosos. Não se deixe em sua auto-estima abalar, se ainda o confundem com promoter de boate. Cuidado com a inveja de pessoas que pensam que sua vida é só festa, galho de arruda, sal grosso e outros patuás são sempre bem-vindos.
ASSESSORIA DE IMPRENSA - Sua capacidade de comunicação poderá ser afetada pelo excesso de confiança que Vênus trará ao sobrepor Plutão na segunda casa do signo de Planejamento. Pareceu confuso? Pois é, neste mês os seus textos poderão ficar confusos assim. Atenção, pois se não quem precisará de assessoria será você mesmo.
DIAGRAMAÇÃO - Apesar da importância do seu trabalho em todo o processo, você ainda não teve o reconhecimento que merece. Tenha calma, Mercúrio revela boas energias para você. .Abuse da criatividade em pequenos trabalhos, seja simpático, vista-se bem e o reconhecimento virá.
EUGÊNCIA - Por seu egocentrismo e individualismo, você centraliza todas as coisas, assim sofre a influência de todos os astros do sistema solar, então vide TODAS as previsões acima.
Rodrigo Figueira e Gustavo Piopardo (R&B Propaganda).
Frederico.
Falar sobre a rivalidade entre os PC’s (leia-se Microsoft Windows) e os Macintoshes é, há cerca de duas décadas, motivo de discussões acaloradas da parte de entusiastas de ambos os sistemas. É como comparar a diversidade de pensamento e a heterogeneidade da cidade de Atenas com a eficiência militar de Esparta na Grécia Antiga. Uma guerra que se estende por anos sob uma história intensa de pirataria, espionagem industrial e charlatanismo. Just Business.
Deixemos de lado o passado para analisarmos consistentemente os dois sistemas na atualidade, na qual existe a crescente necessidade de máquinas poderosas e softwares capazes de produzir coisas inimagináveis há 10 anos atrás. O Windows cresceu, sem sombra de dúvida, à sombra do todo poderoso Mac OS. Porém essa realidade mudou rapidamente para uma era na qual os dois sistemas podem competir com igualdade, tanto pelo usuário doméstico quanto pelos usuários que precisam de plataformas voltadas a objetivos mais específicos, como, no nosso caso, os publicitários.
Para os designers, publicitários e outros profissionais, para os quais há a necessidade de uma poderosa estação multimídia para a produção das mais diversas formas de artes gráficas, existe uma considerável vantagem da parte do Mac. O seu sistema é mais estável, mais confiável, mais seguro e protegido contra vírus e outras pragas virtuais que se disseminam por milhões de PC’s em questão de horas graças à Internet. Por outro lado, o PC é uma alternativa mais versátil, consolidada no mercado de softwares e com uma superioridade incontestável quanto à variedade de ferramentas e softwares sobre o Macintosh, além de que, se utilizado com experiência e conhecimento, pode vir a ser uma plataforma tão segura quanto à alternativa da Apple. A maior parte dos vírus de computador são transmitidos e recebidos por usuários iniciantes que abrem, sem hesitar, aqueles lindos slides de bichinhos com músicas do Roberto Carlos no fundo. Creio que há duas razões principais para a grande maioria dos vírus serem programados para PC: uma é a inexperiência da maioria dos usuários e a outra é a falta de motivação dos crackers (hackers com objetivos excusos) para programar virus para uma plataforma com muito menos usuários que o Windows e cujos usuários são, em sua maioria, experts naquilo que fazem e não deixariam brechas óbvias para a entrada das pragas no seu sistema.
Quanto ao desempenho, o Mac tem uma grande vantagem quanto ao seu concorrente, a sua arquitetura foi completamente planejada, nos mínimos detalhes, para a integração a um único sistema operacional. Todos os seus componentes são voltados para compatibilidade com o Mac OS, o que garante a sincronia e a estabilidade tão conhecidas e difundidas pelos “Macmaníacos”. Por outro lado, o PC conta com uma variedade de componentes que possibilita combinações de hardware quase incalculáveis, o que pode levar a um resultado esplendoroso ou desastroso, o que para alguns é o charme dessa plataforma. Existem pessoas que chegam a comparar essa rivalidade com a disputa entre o comunismo e o capitalismo. Um mundo onde todos são integrados e eficientes, mas não há diferenças significatidas ou um mundo no qual pode ser criado o caos ao lado da eficiência aonde cada computador é único, seja melhor ou pior, e o seu bom funcionamento depende, principalmente, do usuário.
PC ou Mac, provavelmente essa rivalidade irá demorar muito pra terminar, talvez nem termine. Resta ao usuário final escolher a melhor alternativa de acordo com as suas reais necessidades, experiência, preferência e, é claro, condição financeira. O fato é que hoje em dia as duas plataformas estão cada vez mais parecidas no que diz respeito à eficiência e qualidade final, apesar do Mac ainda levar vantagem no quesito gráfico. A Apple e a Microsoft só não podem se esquecer de um concorrente que está se desenvolvendo rapidamente e, em breve, poderá conquistar fatias de mercado importantes, o Linux
Bruno.
Estava eu, agora no colegial, e os professores insistiam em dizer que a vida iria ser mais difícil. Já no terceiro ano, ouvi novamente o professor dizendo: “A vida não é moleza, vocês vão ver o que é difícil”. Não vi nada de difícil, a não ser a escolha da faculdade que iria fazer.
Com excesso de criatividade, acabei fazendo publicidade, e até mesmo dentro da ESAMC, o discurso continua me perseguindo, a frase mudou, mas o conceito é o mesmo, e desde primeiro período eu escuto: “A vida não é moleza, deixa quando vocês entrarem no mercado de trabalho”. Enfim, hoje estou quase terminando o quarto período e fico aguardando ir para o mercado de trabalho, afinal a vida não é moleza.
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O ovo de pata é mais nutritivo que o ovo de galinha, mas o ovo de galinha é mais vendido que o ovo de pata. Sabe por que? Porque a galinha anuncia. Essa é a diferença. Quem nunca viu uma galinha anunciando aos sete ventos seu produto? Quem anuncia ganha espaço no mercado.
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P: Quantos diretores de arte são necessários para trocar uma lâmpada?
R: Não sei, o que você acha?
P: Quantos redatores são necessários para trocar uma lâmpada?
R: Vai trocar a lâmpada por que? Tá bom assim, deixa assim, o briefing não falou nada de não poder deixar a sala no escuro…
P: Quantos atendimentos são necessários para trocar uma lâmpada?
R: Deixa eu voltar para a agência, que eu te respondo.
P: Quantos tráfegos são necessários para trocar uma lâmpada?
R: Eu preciso de uma dupla, mas não tem nenhuma no momento. Não dá pra entrar com job assim, em cima da hora.
P: Quantos produtores gráficos são necessários para trocar uma lâmpada?
R: Ih, essa lâmpada não dá pra trocar. Vem lá da China, vai demorar uns dois meses pra chegar.
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Mandamento do publicitário
1º Não terás vida pessoal, familiar ou sentimental.
2º Não verás teu filho crescer.
3º Não terás feriado, fins de semana ou qualquer outro tipo de folga.
4º Terás gastrite, se tiveres sorte. Se for como os demais terás úlcera.
5º A pressa será teu único amigo e as suas refeições principais serão os lanches, as pizzas e o China in Box.
6º Teus cabelos ficarão brancos antes do tempo, isso se te sobrarem cabelos.
7º Tua sanidade mental será posta em cheque antes que completes 5 anos de trabalho.
8º Dormir será considerado período de folga
9º Trabalho será teu assunto preferido, talvez o único.
10º A máquina de café será a tua melhor colega de trabalho, porém, a cafeína não te farás mais efeito.
11º Happy Hours serão excelentes oportunidades de ter algum tipo de contato com outras pessoas loucas como você.
12º Terás sonhos, com clientes, e não raro, resolveras problemas de trabalho neste período de sono.
13º Exibirás olheiras e dores no pulso como troféus.
14º E o pior, inexplicavelmente, amará de tudo isso.
Hugo.
Ser organizado nas informações, ter empatia, saber ouvir, orientar o cliente e ter uma postura pró-ativa são fatores determinantes para se obter um bom briefing.
Todas as informações necessárias deverão ser colocadas de forma simples e organizadas.
Um bom briefing deve ser tão curto quanto possível, mas tão longo quanto necessário, Em outras palavras, a extensão do briefing é indefinível previamente, contendo todas as informações que sejam relevantes e nenhuma que assim não seja.
Um bom e correto briefing não é tão simples quanto parece. O Briefing Teórico, ou como é conhecido briefing clássico pode ser utilizado tanto quanto o briefing prático, o que importa na verdade e a forma como estas informações vão chegar às outras áreas da agência de propaganda. Isto depende muito da confiança e capacidade do atendimento junto aos clientes que ele atende, bem como do conhecimento que ele possui sobre o negócio.
O gerenciamento destas informações e a forma como elas vão chegar ao planejamento, mídia, criação e demais área envolvidas da agência e que vão determinar o sucesso de um bom briefing e consequentemente o sucesso da campanha.
Ser organizado nas informações, ter empatia, saber ouvir, orientar o cliente e ter uma postura pró-ativa são fatores determinantes para se obter um bom briefing. Documentar e administrar as informações internamente é que vai contribuir o bom desenvolvimento da comunicação.
Desta forma o que importa é a qualidade da informação coletada e transmitida, ou seja, o valor que o profissional de atendimento exerce na sua função é vital para se alcançar este objetivo.
Ele é o fator catalisador deste processo de comunicação e seu perfil pode ser clássico ou prático, não importa qual deles você escolher. Escolha o que vai ajudá-lo no sucesso do processo e do cliente.
Alessandro Moraes Esteves
Professor de Atendimento – Comunicação Social e RP
Aqui, um criativo deveria expor seu ponto de vista sobre o briefing.
Aqui, o modelo de propaganda de 30 anos atrás, aquele em que cliente e veículo respeitavam e acreditavam no trabalho de uma agência, já está ficando ultrapassado.
Somos o 13º mercado de comunicação do país, com um faturamento estimado em R$ 130 milhões, distribuídos em mais de 300 empresas de comunicação. Dessas, mais de 100 são agências de propaganda, sendo somente 51 certificadas pelo CENP (Conselho Executivo das Normas Padrão), que geram mais de 3.500 empregos diretos.
O cenário que estamos atravessando em nosso mercado, não é distante do nacional. Lendo uma reportagem da Revista About de Outubro, uma das mais conceituadas publicações do meio, percebi que os problemas enfrentados pelo setor e as oportunidades apontadas fazem também parte da nossa realidade.
Aqui, o modelo de propaganda de 30 anos atrás, aquele em que cliente e veículo respeitavam e acreditavam no trabalho de uma agência, já está ficando ultrapassado. Hoje, qualquer empresa “compra” comunicação diretamente dos veículos, por achar que entende do assunto, que sabe o que é melhor para o seu negócio, sem nenhuma estratégia ou planejamento. Sem se utilizar dos serviços de uma agência, acredita que reduz o “custo” – porque a propaganda não é tida como investimento” – e que ainda assim terão resultados positivos. É o famoso “barato que sai caro” ou “economia burra”.
As agências não cobram os olhos da cara para cuidar da comunicação das empresas. O estereótipo de que publicitário é mercenário precisa acabar. Existem, claro, aqueles que estampam nas revistas seu estilo de vida milionário, contribuindo para essa visão errônea e prejudicando o mercado. Mas existem também profissionais sérios, competentes, comprometidos com os resultados, que infelizmente sofrem as conseqüências desse estereótipo.
A remuneração das agências é outro fator que precisa ser colocado em pauta, também questionado nos grandes centros e que muito bem se aplica a nós. Fazer da publicidade um leilão do tipo “quem dá mais por menos e ainda com qualidade” é uma estratégia adotada por algumas empresas que é ruim para todo o mercado, sem falar da sua própria comunicação. Se há solução para isso, não sei. Pelo menos imediata acredito que não. Mas quem participar desse tipo de concorrência significa aceitar essa situação de mãos atadas, isso eu sei.
O que contribui e muito para esse cenário é a alta competitividade do setor. É a tal da lei da oferta e da procura. O problema é a falta de preparo dessa oferta. Tem pessoas que trabalham no nosso mercado que acham que basta ter um computador, saber “mexer” no corel draw e photoshop, ser um pouquinho criativo e pronto, aí está a fórmula do sucesso: atender os clientes com baixo custo. As EUgências (eu atendo, eu planejo, eu crio, eu faço eu aconteço...) também prejudicam todo o mercado. É só parar para pensar: agência de publicidade é uma empresa como outra qualquer. Precisa ser bem administrada, ter produtividade, capital de giro, fluxo de caixa, enfim, a remuneração adequada e o reconhecimento do valor da atividade são fundamentais para fazer tudo isso funcionar.
Se o que é cobrado pelo serviço prestado não for justo, ou seja, não corresponder à qualidade do serviço, como as agências vão investir em talentos ou em tecnologia? Como vão crescer?
É assim que vivemos: de um lado anunciantes que buscam redução de custos e de outro as agências, que estão achatando cada vez mais suas receitas.
O fato é que já está passando da hora de discutirmos saídas. Para tudo na vida tem solução. Então vamos encontrar a nossa.
Marcelo Senni
Diretor da Mais Comunicação, Prof. Acadêmico do curso de Publicidade e Proganda – ESAMC, Diretor Administrativo da APP (Associação dos Profissionais de Propaganda – Uberlândia) e Diretor de Marketing da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente)
Dos publicitários que encontrei pelo caminho, a maioria não acreditava na formação acadêmica e até a desprezava.
Sérgio Labruna
Professor da ESAMC, publicitário e diretor artístico.
3) Texto versus Imagem
Uma imagem vale por mil palavras?
Se não houver uma fina sintonia entre texto e imagem, é preciso repensar suas idéias.
Se não houver uma fina sintonia entre texto e imagem, é preciso repensar suas idéias. Por isso, lembre-se sempre: ao usar imagens ou textos isolados, a sua idéia precisa ser bem clara e objetiva, sob o risco de perder a força da comunicação.
Apresentar uma idéia de anúncio usando apenas uma imagem, aonde esta mesma imagem represente mais que mil palavras, isso é para poucos diretores de arte e criativos.
Eu costumo dizer que o texto é um perfeito casamento com a imagem e vice-versa. Sendo assim, não vejo uma disputa entre os dois meios de comunicar com o público. Às vezes isso é muito relativo no momento que são colocados em peças de comunicação.
Um exemplo de uso pode ser observado na comunicação da Coca-Cola onde, em todas as suas campanhas, podem ser vistas imagens com visuais modernos e atuais, mas sempre assinadas com um conceito: - Coca-cola. É isso aí.
Valeu!
Neto.
Diretor de Criação e proprietário da N Idéias Comunicação.
Estou até pensando em propor a todos, especialmente aos profissionais da comunicação, uma nova categoria de percepção que crie a palavra/imagem ou a imagem/palavra...
Longe de ter a Bíblia como verdade ou de concordar com as categorias de tempo que se apresentam variáveis em cada idioma, vejo a palavra como uma invenção/conquista que ajudou a construir o que entendemos como humano. E se nós a construímos, também somos feitos por ela. Tem até uma palavra para expressar esta relação: dialética. Mas cuidado, as palavras tanto servem para revelar quanto para esconder, cabendo aqui intermináveis aliterações filosóficas.
Já as imagens estão aí, abaixo, acima e por todos os lados, e de tão óbvias chegam a doer/machucar/encantar. Nem por isso são menos complexas, importantes, misteriosas ou reveladoras. Aos mais desavisados, aqueles que cultuam as imagens ou as desprezam, fica um aviso: uma imagem utilizada com sensibilidade sugere infinitas palavras. Assim como um bom texto sugere múltiplas imagens.
Estou até pensando em propor a todos, especialmente aos profissionais da comunicação, uma nova categoria de percepção que crie a palavra/imagem ou a imagem/palavra (pode ser um ícone, um traço, uma letra, um borrão...) que acabe com esta visão esquizofrênica de comunicação que insiste em separar coisas tão belas.
Anacleto Neves
Diretor de criação da Blues Comunicação.
Frederico.
@#$%&*!
Frederico.
Eu, etiqueta
Carlos Drummond de Andrade
Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório
um nome… estranho
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca do cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minha meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro
minha gravata e cinto e escova e pente
meu copo, minha xícara
minha toalha de banho e sabonete
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça aos bicos dos meus sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincindência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade
e fazem de mim homem-anúncio itinerante
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marca registradas,
todos os logotipos de mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que era antes e me sabia tão diverso de outros, tão mim-mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana ,invencível condição.
Agora sou anúncio,
ora vulgar, ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer principalmente).
E nisto me comprazo, tiro glória
da minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu que minuciosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno alguma compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam
e cada gesto, cada olhar,
cada vinco da roupa
resumia uma estética?
Hoje sou costurado, sou tecido,
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
da vitrine me tiram recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de não ser eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem,
meu novo nome é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.
Gabriella, Fernandinha e Edilson.
Rádio, um meio inteiro na publicidade brasileira
"Pipoca na panela,Começa arrebentar,
Pipoca com sal,
Que sede que dá!
Pipoca e guaraná que programa legal,
Só eu e você, e sempre no ar...
Quero ver pipoca pular
Pipoca com guaraná
Quero ver pipoca pular
Pipoca com guaraná
Quero ver pipoca pular... pular
Sou louca por pipoca e guaraná"
Que durante um bom período isso ficou na sua mente ou que, simplesmente, cantarolou com os amigos numa festa achando aquele momento super engraçado.
Spots, jingles, assim são conhecidas algumas propagandas feitas na rádio. Mas quando, como e quem introduziu essas “propagandas” num meio de comunicação considerado cego, por não depender de uma imagem real para promover o produto e também por atingir, com ampla facilidade, uma quantidade enorme de pessoas?
Foi a partir de 1932, após dez anos a primeira transmissão oficial de radio no país, que surgiu um decreto no qual permitia a publicidade nas rádios brasileiras. Até então, as emissoras não sobreviviam da publicidade, mas de contribuições dos associados e entidades privadas.
As rádios, nesse período, eram utilizadas para fins educativos e culturais, como recitais de poesias e concertos e atendiam um grupo restrito de pessoas. Com a autorização legal, pode-se perceber que a rádio passa por uma nova fase, no qual deixa de servir uma elite e passa ser um veículo de comunicação de massa.
Considerada, naquela época, uma grande atração cultural, as rádios trouxeram inovações técnicas e modificaram hábitos da sociedade. Tal aparelho tornou-se tão importante, que conseguia reunir as famílias para escutar determinado programa durante horas.
E foi nesse momento, que as propagandas foram desenvolvidas nas rádios e proporcionaram para as mesmas um crescimento e até mesmo, uma melhora em relação à qualidade de programação.
As primeiras publicidades surgiram com as empresas multinacionais, como Philips e Bayer, através das radio novelas e programas de auditório, bem como sendo utilizadas para propagandas eleitorais. Mas o interesse de anunciar na rádio não era somente de empresas conceituadas e do governo, os pequenos anunciantes, como lojas e farmácias encontrou nas rádios uma maneira de atingir as pessoas por um custo baixo.
No meio radiofônico, os spots, os jingles, as peças de promoção, os programas eleitorais e os programas religiosos são considerados gêneros publicitários. Dentre os gêneros apresentados acima, os mais utilizados são os spots e os jingles.
De fato, isso acontece porque os spots, que são pontos de propaganda, quando apoiados numa linha musical, vinhetas ou efeitos sonoros, criam um cenário necessário para o entendimento da mensagem transmitida. Já em relação ao jingle, essa peça publicitária tem como características ser de curta duração, com melodias simples e de fácil compreensão, para que assim estimule a retenção da mensagem pelo ouvinte.
É importante ressaltar que os demais gêneros, inspiram-se ou utilizam os spots e os jingles para atingir o principal objetivo quando divulgado, que é vender o produto.
Conhecido por revolucionar o modo de apresentar programas de rádio, um dos principais nomes da publicidade radiofônica, Ademar Case juntamente com Nássara, um dos membros de sua equipe de redatores, foram os criadores do primeiro jingle brasileiro, inspirado numa padaria no Rio de Janeiro. Um trecho dizia: “Oh padeiro dessa rua, tenha sempre na lembrança. Não me traga outro pão, que não seja pão de Bragança”.
A rádio conseguiu, principalmente através dos jingles, despertar a imaginação daquele que ouviu e que ouve até hoje, pois os mesmos fizeram e fazem sucesso. Jingles como das bebidas grapete (“quem bebe grapete, repete grapete, grapete é gostoso demais. Quem bebe grapete, repete grapete, grapete é gostoso demais”) e também do Banco Bamerindus (“o tempo passa, o tempo voa e a poupança Bamerindus continua numa boa. É caderneta Bamerindus”), esse já veiculado na televisão, ficaram guardados na memória de muitas gerações.
É certo que após o início das propagandas, as rádios atingiram sua maior importância nos meios de comunicação, chegando a ser o meio mais consumido e no qual era destinada a maior parte das propagandas. Tornou-se, na verdade, o veículo de maior popularidade, receptividade entre população.
Por isso, as propagandas na rádio devem ser valorizadas, porque fizeram história e tiveram sua importância dentro do desenvolvimento da publicidade em geral.
Mesmo com o desconforto causada pela chegada da televisão e com os avanços tecnológicos, a rádio ainda alcança uma parcela significativa da população. Mas isto, não é suficiente para fazer da rádio um veículo de grande persuasão diante das agências e dos publicitários.
Na verdade, por oferecer um baixo custo de produção e veiculação, a radio é a opção de divulgação para os anunciantes que não possuem estruturas mercadológicas suficientes para assumir o alto custo do espaço publicitário na televisão.
Fernandinha.
Tudo não passava de uma brincadeira, quando a moda brasileira foi apresentada oficialmente à Publicidade na década de 20, mas foi a partir daí que um antigo flerte cresceu e se tornou um enlace de sucesso. Nessa década marcada por revoluções no mundo feminino, a Moda passou a ser um marco de independência e liberdade e nesse momento a Publicidade cumpriu seu papel ousando em mostrar a imagem de uma nova mulher que deixou de lado os antigos espartilhos e começou a usar roupas mais soltas, com ares mais frescos e modernos e à mostrar os tornozelos, antes reclusos sobre diversas camadas de saias e ceroulas. Foi literalmente um “desbunde” nas ruas da moderna, porém conservadora São Paulo quando começaram a surgir as tendências trazidas de Paris por uma estilista aparentemente desconhecida. Nada mais nada menos do que Coco Chanel, uma das mulheres que mais soube usar a mídia como arma a seu favor e à favor de suas idéias.
Após significantes mudanças, o sonho do American Way of Life se foi, e junto com ele também se foi a ousadia da Propaganda Fashion, que durante os anos 30 passou praticamente despercebida entre os anúncios de uma moda praticamente funcional e sem vida, haja visto que nessa década o mundo mergulhou na chamada Grande depressão e em seguida na Segunda Guerra Mundial. Nesse período as grandes maisons parisienses foram praticamente banidas e as poucas que ainda sobreviveram tiveram que se adaptar às novas regras: ou continuariam no setor da alta-costura tendo como clientes apenas as esposas dos militares e generais, ou adaptariam suas coleções para uma moda mais masculinizada e criada a partir dos poucos tecidos que podiam ser usados no período da guerra. A grande maioria optou pela segunda opção, que já havia tido uma premissa com a Chanel no final dos anos 30. E como em tempos de guerra o orçamento se torna escasso, mais uma vez a Propaganda de Moda ficou limitada aos catálogos, que eram feitos pelas fábricas que começaram a Produzir peças em série para atender a uma demanda cada vez mais pulsante: a de, apenas, se vestir.
Porém ao final da Guerra a moda retoma seu devido lugar de destaque e leva consigo sua grande companheira de jornada a Publicidade, quando em 1947 Christian Dior apresentou em Paris sua nova coleção, cheia de babados, pregas, adereços e brilhos, que ficou conhecido como “New Look”, e foi também o prenúncio de uma mulher extremamente feminina que reinaria absoluta nos anos seguintes.
Seguindo o caminho de mãos dadas, a moda e a Publicidade chegam a uma década inesquecível, a de 50. Extremamente marcada pela feminilidade e pelas criações opulentas de seus principais estilistas, essa foi uma década de recuperação do vínculo matrimonial de nossas vedetes, pois as maisons que até então estavam fechadas, reabriram, as mulheres que eram práticas, mudaram e a Publicidade estava no auge com o lançamento de uma linha que revolucionou o mundo da moda: a maquiagem. Empresas como a Revlon, Helena Rubinstein, Elizabeth Arden e Estée Lauder, gastavam muito em publicidade, era a explosão dos cosméticos. Sombras, batons, rímel, e o indispensável delineador de olhos e bocas, que antes eram apagados e agora, mas do que nunca, voltam a cena como força e demonstração de feminilidade.
Mais novidades vieram no enlace da Publicidade com Moda, pois mais do que a mudanças de estilo, a década de 50 veio marcada pela introdução de um meio de comunicação de massa que, anos mais tarde, viria a ser o meio mais assistido pela população do planeta: a televisão. Junto com ela veio a revolução, o som unido à imagem, que “vale mais do que mil palavras”. Nesse momento uma enxurrada de publicidade invadiu as telas da TV que apesar da pouca expressividade devido ao preço do aparelho, conseguia atingir bem seus objetivos. Eram maquinas de lavar, aspiradores de pó, enceradeiras, uma explosão de tecnologia. E claro, a Moda não ficou de fora, pois os principais ateliês de alta-costura e as principais maisons colocaram no ar (ainda que ao vivo) suas criações, que além de estar em programas específicos estavam também estampados nas vestimentas das principais artistas e atrizes que marcaram os anos cinqüenta: as bela Marilyn Monroe e a estonteante Brigitte Bardot.
A cada época uma nova tendência acompanha o mercado, e nos anos que seguiram a história voltou a se repetir, e foi nos anos 60 que se deu inicio ao que se chama de democratização da moda, onde esta passou a ser artigo dos mais velhos e o estilo de liberdade propagado pelos cantores da época nas divulgações de seus discos não combinavam com tendências ditadas por algo ou alguém. A moda então era versatilizar, desafiar a Propaganda feita pelas maisons e ateliês. E não é que a idéia funcionou? Nas décadas seguintes o casamento entra a Moda e a Propaganda passou a ser reforçado pela contradição criada por jovens cada vez mais ativos, em uma sociedade cada vez mais ágil. Sendo assim, a Propaganda passou a se ramificar e a “conversar” com o seu público dizendo o que ele queria ouvir na hora exata, sem deixar de lado, é claro, seu papel com a parte mais conservadora da sociedade.
Anos mais tarde, após mudanças radicais como o lançamento oficial do Jeans como tendência pela marca Calvin Klein na década de 70 e os polêmicos anúncios de Oliveiro Toscani para a Beneton que tiveram início no ano de 1982, o casamento da Moda com Publicidade se mostra cada vez mais firme no seu propósito, sendo fortalecido a cada dia por anúncios cada vez mais atrativos e que desempenham além da nobre função de divulgar também a função de conscientizar e demonstrar a preocupação do homem com os problemas e questões do meio que o cerca, como mostram as recentes campanhas da grife de Jeanswear Zoomp, onde os criadores simularam situações em que os modelos, vestidos com as calças da marca, por exemplo, “limpam” as escadarias do Palácio do Planalto ou lavam a bandeira nacional com sabão em pó. Na mesma linha de trabalho o publicitário e fotógrafo Oliviero Toscani mais uma vez chocou o mundo com o recente anuncio para a No – I – Lita, no qual ele mostra a modelo Isabelle Caro, nua, com 31 kg e 1,65 metros. A propaganda foi proibida em vários países, mas iniciativas como essas mostram a preocupação do ditador mundo da Moda com as conseqüências de seus atos.
Vale lembrar que todo casamento passa por suas crises, altos e baixos, felicidades e infortúnios, porém analisando de maneira cética e desprovida de qualquer preconceito, o enlace matrimonial parece estar perfeito. Resta saber se ambas as partes estão felizes na relação, pois modificando o ditado “em vida de marido e mulher ninguém intromete com a colher”.
Wagner.
Parabéns às equipes de Redação, Direção de Arte e Produção, coordenadas por mim, Rodrigo Abreu e Mariana Cicci, respectivamente. Por último, mas não menos importante, parabéns ao professor Labruna, responsável pelo desafio e pela coordenação geral da revista. É o cara.
Aos meus colegas de PUB!, deixo um grande e sincero abraço. Para mim foi ótimo. E para vocês, foi bom?
Frederico Oliva, 01/06/2008.