“(...) o mercado está absolutamente saturado de publicitários genéricos, com uma oferta básica de conhecimentos e habilidades”.
Inserido em um mercado que ocupa a décima terceira colocação no ranking de publicidade do país, contendo mais de trezentas empresas do setor e que emprega aproximadamente 3.500 pessoas diretamente, é preciso além de sucesso, ter muito prestígio para não ser ou criar algo biodegradável e conquistar um lugar efetivo nesse contexto. Eduardo Guaratto, ícone de profissionalismo e dedicação à carreira de nossa região, possui estes tão sonhados diferenciais e os definem como um conjunto de “paciência, humildade, coragem e perseverança”. Aqui, ele fala a respeito do mercado de trabalho da cidade de Uberlândia, da regulamentação da profissão de publicitário, da necessidade de uma formação acadêmica e nos conta um pouco sobre sua rica jornada na sua área de atuação.
1. Conte-nos um pouco da história da sua carreira: quando e como ingressou, as dificuldades e receios, os aprendizados e oportunidades e o que te motivou a seguir essa profissão.
Comecei em comunicação em 1982, na Rádio Cultura FM, como locutor e diretor artístico. Foi um acaso e depois uma paixão. Fiquei no rádio durante nove anos, passando por São Paulo e Belo Horizonte na Rede Antena Um. Depois disto, montei minha agência, onde fiquei por 15 anos, até o convite para a gerência comercial da Rede Integração, onde estou hoje. Não houve um dia sequer nestes anos que fosse parecido ao anterior. Há sempre uma situação nova, ou uma velha situação com uma pessoa nova. E para cada uma, um aprendizado. Paciência, humildade, coragem e perseverança são atributos essenciais para seguir em frente.
2. Aponte um forte ponto positivo da profissão e um ponto negativo (se achar que este exista).
Positivo: na comunicação, lida-se com gente culta, educada e perspicaz na maioria das vezes. Isso obriga a uma renovação constante de conhecimento, informação e valores.
Negativo: as deficiências da regulamentação permitem a invasão de oportunistas, sem que os profissionais possam se diferenciar com nitidez.
3. Como você enxerga o mercado de trabalho em Uberlândia para nossa profissão? Ele realmente está saturado ou sempre existem vagas para bons profissionais?
Sim, o mercado está absolutamente saturado de publicitários genéricos, com uma oferta básica de conhecimentos e habilidades.
Sim, sempre existem vagas para aqueles que buscaram uma especialidade e conseguem transformar o ‘saber’ em valor agregado para clientes e contratantes. Se você não conseguir tornar rentável o seu conhecimento ou informação, então estes não valem o que parecem valer.
4. Qual a verdadeira necessidade de uma formação acadêmica, já que muitos se auto-intitulam “publicitários” sem uma real profissionalização?
Se você não for um daqueles ‘iluminados’, com clara vocação para alguma habilidade específica, como criação ou artes visuais, então a formação acadêmica fará toda a diferença na carreira. O pensamento estratégico, a capacidade de trabalhar em equipe e o controle das reações quando se está sob pressão são fundamentais na vida profissional e isto se exercita muito na escola.
5. A respeito da regulamentação da profissão de publicitário e da criação de um congresso do setor, o que pensa sobre a demora da realização dos mesmos, já que tantas outras categorias já estão organizadas em Ordens, Conselhos e Federações?
Penso que há pouca vontade de mobilização da maioria do setor. Em outubro recebemos pela segunda vez em Uberlândia o diretor jurídico do CENP e CONAR, aí mesmo no auditório da ESAMC, sem nenhum custo, com pouca presença de profissionais do mercado. Da mesma forma ocorreu em 2005, também sem custo e com pouca freqüência. Tudo indica que a nova geração é que fará diferença.
6. O que aconselha a jovens e futuros profissionais inseridos em um mercado rodeado de oportunistas para a conquista de um espaço definido e construção de uma carreira concreta e rentável?
Que se especialize e procure excelência em alguma área do saber. Construa relações duradouras ao longo da graduação com colegas, professores e empresas, pois será através delas que as portas começarão a se abrir. A graduação não é, ao contrário do pensamento geral, somente um tempo de farras inesquecíveis. Claro que fazem parte. Mas este é um tempo onde você se mostra por inteiro às pessoas que vão influir na sua carreira futura. A maneira como você é percebido (a) vai determinar se você será indicado para as melhores, as piores ou nenhuma oportunidade.
Izabela Cabral.
Nenhum comentário:
Postar um comentário