Rádio, um meio inteiro na publicidade brasileira
"Pipoca na panela,Começa arrebentar,
Pipoca com sal,
Que sede que dá!
Pipoca e guaraná que programa legal,
Só eu e você, e sempre no ar...
Quero ver pipoca pular
Pipoca com guaraná
Quero ver pipoca pular
Pipoca com guaraná
Quero ver pipoca pular... pular
Sou louca por pipoca e guaraná"
Que durante um bom período isso ficou na sua mente ou que, simplesmente, cantarolou com os amigos numa festa achando aquele momento super engraçado.
Spots, jingles, assim são conhecidas algumas propagandas feitas na rádio. Mas quando, como e quem introduziu essas “propagandas” num meio de comunicação considerado cego, por não depender de uma imagem real para promover o produto e também por atingir, com ampla facilidade, uma quantidade enorme de pessoas?
Foi a partir de 1932, após dez anos a primeira transmissão oficial de radio no país, que surgiu um decreto no qual permitia a publicidade nas rádios brasileiras. Até então, as emissoras não sobreviviam da publicidade, mas de contribuições dos associados e entidades privadas.
As rádios, nesse período, eram utilizadas para fins educativos e culturais, como recitais de poesias e concertos e atendiam um grupo restrito de pessoas. Com a autorização legal, pode-se perceber que a rádio passa por uma nova fase, no qual deixa de servir uma elite e passa ser um veículo de comunicação de massa.
Considerada, naquela época, uma grande atração cultural, as rádios trouxeram inovações técnicas e modificaram hábitos da sociedade. Tal aparelho tornou-se tão importante, que conseguia reunir as famílias para escutar determinado programa durante horas.
E foi nesse momento, que as propagandas foram desenvolvidas nas rádios e proporcionaram para as mesmas um crescimento e até mesmo, uma melhora em relação à qualidade de programação.
As primeiras publicidades surgiram com as empresas multinacionais, como Philips e Bayer, através das radio novelas e programas de auditório, bem como sendo utilizadas para propagandas eleitorais. Mas o interesse de anunciar na rádio não era somente de empresas conceituadas e do governo, os pequenos anunciantes, como lojas e farmácias encontrou nas rádios uma maneira de atingir as pessoas por um custo baixo.
No meio radiofônico, os spots, os jingles, as peças de promoção, os programas eleitorais e os programas religiosos são considerados gêneros publicitários. Dentre os gêneros apresentados acima, os mais utilizados são os spots e os jingles.
De fato, isso acontece porque os spots, que são pontos de propaganda, quando apoiados numa linha musical, vinhetas ou efeitos sonoros, criam um cenário necessário para o entendimento da mensagem transmitida. Já em relação ao jingle, essa peça publicitária tem como características ser de curta duração, com melodias simples e de fácil compreensão, para que assim estimule a retenção da mensagem pelo ouvinte.
É importante ressaltar que os demais gêneros, inspiram-se ou utilizam os spots e os jingles para atingir o principal objetivo quando divulgado, que é vender o produto.
Conhecido por revolucionar o modo de apresentar programas de rádio, um dos principais nomes da publicidade radiofônica, Ademar Case juntamente com Nássara, um dos membros de sua equipe de redatores, foram os criadores do primeiro jingle brasileiro, inspirado numa padaria no Rio de Janeiro. Um trecho dizia: “Oh padeiro dessa rua, tenha sempre na lembrança. Não me traga outro pão, que não seja pão de Bragança”.
A rádio conseguiu, principalmente através dos jingles, despertar a imaginação daquele que ouviu e que ouve até hoje, pois os mesmos fizeram e fazem sucesso. Jingles como das bebidas grapete (“quem bebe grapete, repete grapete, grapete é gostoso demais. Quem bebe grapete, repete grapete, grapete é gostoso demais”) e também do Banco Bamerindus (“o tempo passa, o tempo voa e a poupança Bamerindus continua numa boa. É caderneta Bamerindus”), esse já veiculado na televisão, ficaram guardados na memória de muitas gerações.
É certo que após o início das propagandas, as rádios atingiram sua maior importância nos meios de comunicação, chegando a ser o meio mais consumido e no qual era destinada a maior parte das propagandas. Tornou-se, na verdade, o veículo de maior popularidade, receptividade entre população.
Por isso, as propagandas na rádio devem ser valorizadas, porque fizeram história e tiveram sua importância dentro do desenvolvimento da publicidade em geral.
Mesmo com o desconforto causada pela chegada da televisão e com os avanços tecnológicos, a rádio ainda alcança uma parcela significativa da população. Mas isto, não é suficiente para fazer da rádio um veículo de grande persuasão diante das agências e dos publicitários.
Na verdade, por oferecer um baixo custo de produção e veiculação, a radio é a opção de divulgação para os anunciantes que não possuem estruturas mercadológicas suficientes para assumir o alto custo do espaço publicitário na televisão.
Fernandinha.
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